Caros colegas,
Depois de revisto o texto do Portugal Científico (está mesmo quase pronto para a publicação), volto "ao ataque" às contas para a auto-suficiência de Évora...
Recordo então que estávamos a tratar da quantificação da geração de materiais de construção. Comecei pela madeira, seguiu-se a pedra, agora é a vez da cerâmica (argilas).
Segundo as minhas contas, eis então a situação relativa às argilas / materiais cerâmicos:
Massa de argilas / materiais cerâmicos possível de obter através da reutilização, ton/ano - 2088
Massa de argilas / materiais cerâmicos possível de obter através da reciclagem, ton/ano - 3481
Tendo em conta a redução de materiais cerâmicos presente na construção atual, face ao que se pretende no futuro (com muito mais incidência da madeira como material de construção), estimei que nos primeiros 130 anos não seja necessário recorrer a depósitos de argila, admitindo o aproveitamento em reutilização e reciclagem indicado acima. Após esse período, no entanto, o recurso a depósitos nos 120 anos seguintes poderá situar-se à volta de 1700 ton/ano.
Segundo as estatísticas, e realizando uma proporção direta à população residente (não encontrei dados específicos de produção de argilas em Évora), produz-se cerca de 11100 ton/ano de argilas no município de Évora. Ao ritmo de extração de 1700 ton/ano, esta produção atual só é colmatada ao fim de 6.5 anos.
Tal como para a pedra, também não encontrei (ainda) nenhum estudo ou referência que apresente uma estimativa para a reserva aproveitável de argila na região de Évora (nem para qualquer outra região do país). No entanto, seguindo um raciocínio análogo, e arbitrando uma longevidade de 100 anos para os depósitos da região à taxa de consumo atual, esses mesmos depósitos poderão durar cerca de 650 anos, à taxa de consumo no regime de 1700 ton/ano. Será possível, no entanto, contemplar que essa taxa de consumo possa reduzir-se, à medida que os processos de reciclagem se tornem mais evoluídos. Para uma eficiência de reciclagem de 95%, essa taxa de consumo de depósitos baixaria para 1190 ton/ano, o que poderia prolongar esta longevidade para cerca de 900 anos.
Uma conclusão provisória quanto à utilização de argilas / materiais cerâmicos sugere cautela, pois a necessidade de recorrer a depósitos indica tempos de exaustão relativamente curtos (abaixo de 1000 anos), mesmo numa situação de forte alteração dos materiais de construção com vista à auto-suficiência, e investimento material e tecnológico em reutilização e reciclagem. No entanto, a longevidade inicial foi arbitrada, por falta de dados, podendo ser bastante superior a 100 anos, à taxa de consumo atual.
Sigo para os metais.
Abraços!
André