Caríssimos,
Mais um episódio desta "novela". Depois da madeira, da argila, da pedra e dos metais ferrosos, temos agora a terra. Na gíria da construção, do adobe. Para quem conhece um pouco de construção, nomeadamente a corrente e atual, poderá pensar que a construção em adobe não tem hipótese, nem agora nem no futuro.
Independentemente dessas considerações, segundo as minhas contas até ao momento, o adobe poderá chegar a colmatar cerca de 24% de todas as necessidades em termos de materiais de construção, numa ótica de autossuficiência para a região de Évora. Valor este só ultrapassado pelo dos materiais cerâmicos (cuja única diferença fundamental para o adobe é a temperatura de cozedura, sendo a origem da matéria prima basicamente a mesma: o solo)
Bom, vamos aos números.
NECESSIDADES
- Tempo de vida útil médio de paredes em adobe - 60 anos (aplicando técnicas tradicionais melhoradas pelos conhecimentos atuais);
- Massa colocada de adobe, anualmente, em substituição de produtos cerâmicos, 1ºs 60 anos, ton/ano - 3092;
- Massa colocada de adobe, anualmente, em substituição de produtos cerâmicos, após 60 anos, ton/ano - 3143;
- Nº de anos até substituir toda a parcela de materiais cerâmicos (substituível) por adobe - 271;
- Massa de adobe retirada de depósitos, até 60 anos, ton - 185 500;
- Massa de adobe reciclado, após 60 anos, ton/ano - 2986;
- Massa de adobe retirada de depósitos, após 60 anos, ton/ano - 157
GERAÇÃO / RECURSOS
- Constituição básica do adobe - 60% areia, 40% argila;
- Área disponível para exploração dos solos para produção de adobe, ha - 102 000
(total da área do município, à qual se desconta toda a área necessária para: agricultura/pecuária, produção de energia, urbanização, aproveitamento de recursos hídricos, madeira para a construção);
- Espessura média dos solos aproveitáveis para produção de adobe, cm - 40;
- % de utilização da área disponível para exploração dos solos para produção de adobe (arbitrado) - 5;
- Volume extraível de solos (para a parte dos solos aproveitáveis definida), m3 - 20 156 000;
- Peso extraível de solos (para a parte dos solos aproveitáveis definida), m3 - 20 156 000;
- Nº de anos até esgotar reservas de solo, na % definida da área disponível (5%) - 230 000.
Bom, mesmo que algum erro grosseiro se esteja a cometer algures e o nº de anos até esgotar reservas possa baixar, digamos, para 100 000 anos, eu diria que a espécie humana extingue-se entretanto, por "causas naturais"...

Em todo o caso, admitiu-se no cálculo uma eficiência de reciclagem de elementos em adobe de 95%, mas no fundo nada impede que seja de 100%, pois o que não é aproveitado imediatamente para produção de mais adobe fica no solo, para eventualmente poder ser aproveitado.
Fica, para já, encerrado o subcapítulo do adobe. Passo para as areias.
Abraço a todos,
André