Grande parte das reflexões aqui expostas são, a meu ver, boas. No entanto há algo que parece estar a escapar que é a "casta" (Povo) que somos. Não nos podemos esquecer o estado em Povo se encontra,(consciência cívica + sabedoria/ignorância + dinâmica/inércia social + etc.), e é a partir desse estado específico que qualquer tese deve ser posta em prática, tendo em conta o seu aspeto progressivo para outros estágios sociais mais evoluidos. Claro que é útil, discutir aspectos num prazo mais longínquo e abstrato, mas o grande desafio prende-se ao modelo Zeit-pragmático (para aplicar amanhã ao pequeno almoço), com o qual o cidadão menos esclarecido se identifique, se sinta atraido e confiante, e que possa aplicar... o mais tardar à hora de almoço.
Para que aconteça a mudança, mesmo com os "mínimos olímpicos", temos de contar sempre com um momento revolucionário.
É uma inevitabilidade. No entanto isto não é nada de extraordinário porque mais cedo ou mais tarde ela acontecerá de forma mais cirúrgica ou mais expontânea, mais pacífica ou mais violenta. A questão é que, tal como reza a história das revoluções, a atitude do Povo nunca é inconsequentemente louca ou gratuita. Em caso nenhum se registou uma revolução sem que ninguém soubesse apontar um caminho alternativo ao modelo caducado.
Nós apresentamos um caminho alternativo. Ok!
Mas o Povo, nestes assuntos populares tem, grosso modo, um comportamento mais ou menos sensato que assenta na escolha que se apresente como:
- a mais pragmática, que apresente e garanta os melhores resultados a curto prazo (reconhecendo que tem potencial para mais e mais);
- menos confusa e menos polémica (que não se tolha em quiméricos "se") ;
- a mais prudente (face às dúvidas remanescentes);
Atualmente, como sabemos, se houvesse eleições, tudo iria dar no mesmo, e o que prende o modelo atual é apenas o sentimento de prudência. Por outro lado há a referir que, numa revolução, podem existir caminhos opostos sendo que qualquer um responde na íntegra a estes requisitos. Faço votos para que isso não aconteça.
Portanto, a força das noças ideias é para nos levar a uma porta da história que é um Período Revolucionário. Como tal, a nossa linguagem tem de estar de acordo com a realidade em causa... tem de estar sintonizada com aquilo (o Povo) que temos e não com aquilo que não temos. Por isso, para ganhar este desafio é necessário tomar algum enquadramento com a realidade que dispomos:
a) Temos de conviver ainda uns tempos com a economia monetária (tal como foi referido no Aurora II);
b) Temos de conviver ainda uns tempos com a democracia, de preferência uma democracia participativa, (cujo voto assiste como última alternativa aos impasses decisórios);
c) Temos de conviver ainda uns tempos com uma estrutura estatal minimamente -reforce-se
minimamente- hierarquizada (porque muito, muito poucos concebem uma organização sem representantes/líderes).
d) Qualquer das alíneas acima tem de ter a função dinâmica e popular que provoque constantemente a mudança (através da experiência) para atingir ao longo dos dias, dos anos ... das gerações, estágios mais evoluidos do ser e do estado social. Quanto mais dinamismo o Povo imprime ao sistema, mais rápido será o progresso.
A engenharia está em dizer o que é que se pode fazer amanhã, num modo que afecte o pensamento popular, para que se saiba para onde vamos. Se conseguirmos isso todos ganham (menos os clássicos lambões

))
Seria interessante debater aqui o que considerávamos o
Patamar Mínimo Possível (para aplicar ASAP na realidade portuguesa), para que se pudesse imprementar a médio e longo prazo uma EBR e uma sociedade
Zeitstyle. Se houver respostas, talvez consigamos estabelecer aqui alguma comparação entre o estado ideal (prodigamente aqui debatido) e o estado/sistema ou Patamar Mínimo Possível.
Abraço a todos e bora lá mazé